Observação clínica

Malária: sinais e sintomas, causas, prevenção e o tratamento da malária

Atualizado em Abril de 2026
Autor
Revisão: Beldo Celestino Saraiva
Formado no curso: Técnico de enfermagem geral

A malária é uma doença infecciosa grave causada por parasitas do gênero plasmodium, transmitidos pela picada do mosquito fêmea do gênero anopheles. É uma das doenças tropicais mais conhecidas e continua sendo um problema de saúde pública em muitas regiões do mundo.

Apesar dos avanços na prevenção e no tratamento, a malária continua afectando milhões de pessoas todos os anos. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são fundamentais para evitar complicações graves e reduzir a mortalidade.

Os causadores da malária

O parasita que causa a malária é um protozoário unicelular que pertence ao género Plasmodium. Das cerca de 120 espécies de plasmódios, apenas 5 infectam os seres humanos e causam doença, que são as espécies seguintes:

O plasmodium falciparum é o mais perigoso e predominante no continente africano, este agente causador de malária ou seja parasita, tem elevado a taxa de mortalidade.

Como ocorre a transmissão da malária?

A principal forma de transmissão da malária é pela picada da fêmea do mosquito Anopheles infectada. No entanto, existem outras formas menos comuns de transmissão, como:

É importante destacar que a malária não é transmitida pelo contacto directo entre pessoas, nem por alimentos, água ou objetos compartilhados. Fonte: Unicef.org/health/malaria

Periodo de incubação

Os sinais e sintomas aparecem de acordo o tipo de plasmodium variando entre 7 a 30 dias após a picada do mosquito portador de plasmodium.

Sinais e sintomas da malária

Os sintomas geralmente aparecem entre 7 e 30 dias após a infecção, dependendo da espécie do parasita e das condições de saúde da pessoa infectada.

Quando não tratada adequadamente, a malária pode evoluir para complicações sérias, incluindo: malária cerebral; insuficiência renal; dificuldade respiratória; convulsões; coma e a morte.

Epidemiologia da malária mundo e em áfrica

Malária é a doença infecciosa mais difundida no mundo. Está localizada em áreas tropicais e subtropicais. Cerca de metade da população mundial vive em áreas de risco de contrair a malária. Em 2009 foram estimados 225 milhões de casos de malária com 781 mil óbitos em todo o mundo (OMS – World Malaria Report, 2010).

Cerca de 90% do total de casos reportados no mundo ocorrem na África Sub-Sahariana em que as mulheres grávidas e crianças menores de 5 anos são particularmente vulneráveis a infecção e às consequências prejudiciais causadas pela malária

Ciclo de Vida do Plasmódio

O ciclo de vida do plasmódio apresenta duas fases:

  1. Fase sexuada (esporogonia): ocorre no mosquito,
  2. Fase assexuada (esquizogonia): ocorre no ser humano, e possui duas fases:

Esquizogonia exo-eritrocitária: multiplicação do parasita no fígado (nos hepatócitos). Também conhecido por esquizogonia pré-eritrocitária ou esquizogonia intra-hepática.

Esquizogonia eritrocitária: desenvolvimento dos parasitas no sangue (nos eritrócitos), também chamado de ciclo eritrocitário.

Fisiopatologia da malária

Umas das células infectadas e que participam no ciclo de vida do plasmódio são os eritrócitos. Os eritrócitos sofrem as seguintes alterações durante a infecção pelo P. falciparum, a destacar:

  1. Aparecimento de protuberâncias na superfície do eritrócito. As protuberâncias expõem uma proteína aderente de alto peso molecular,
  2. Essas proteínas aderentes medeiam a fixação do eritrócito ao endotélio venular e capilar: fenómeno chamado citoaderência,
  3. Essa aderência acaba por determinar o bloqueio capilar e de vênulas, resultando em isquémia e hipóxia dos tecidos supridos por estes vasos
  4. Adicionalmente, os eritrócitos infectados podem aderir a eritrócitos não infectados, formando rosetas e a eritrócitos não parasitados aglutinação,
  5. Estes fenómenos de citoaderência, formação de rosetas e aglutinação determinam o sequestro de eritrócitos (ex: no cérebro, rins, fígado, pulmões, intestinos) interferindo no fluxo microcirculatório (isquémia e hipóxia) e no metabolismo.

Classificação da malária

A Malária é classificada de acordo com a forma de apresentação clínica, em 2 tipos de malária:

Malária não complicada: malária sintomática, que se apresenta sem sinais de gravidade ou evidência de disfunção orgânica vital (clínica ou laboratorial).

Malária complicada/severa: significa infecção por P. falciparum com sinais de complicação (descritos abaixo) ou evidências de disfunção orgânica vital (clínica ou laboratorial). É uma emergência, e o clínico não deve esperar pela confirmação laboratorial para iniciar o tratamento.

Prevenção da malária

Diagnóstico diferencial malária

  1. Gripe: pode manifestar-se com cefaleia, febre contínua, tremores, calafrios, mioartragias, malestar geral e tosse. O hemograma pode variar, revelando uma linfocitose, sem anemia, sem alteração das transaminases.
  2. Sarampo: manifesta-se com febre, mal-estar, mialgia, cefaleia, tosse, coriza, espirros. Com comprometimento ocular, conjuntivite, erupções maculopapulares, lesões de koplik na mucosa oral. O hemograma pode revelar leucopenia.
  3. Amigdalite: manifesta-se com febre, dificuldade e dor durante a deglutição. O hemograma revela uma leucocitose, sem nenhum outro achado.
  4. Meningite: manifesta-se com cefaleia, febre, náuseas, vómitos, mialgias, fraqueza generalizada, com rigidez da nuca ao exame físico. O diagnóstico e baseado no exame do LCR, bacteriológico e citológico.
  5. Gastroenterite ou intoxicação alimentar : há predominância de sintomas gastrointestinais (diarreia, náuseas, vómitos).
  6. Febre tifóide: febre com manifestações gastrointestinais, pode haver exantema (roséolas tíficas), bradicardia relativa incompatível com o nível de febre (dissociação pulso-temperatura), reacção de Widal positivo.
  7. Sépsis: extremidades quentes, pode haver exantemas.

Como é feito o diagnóstico?

Os meios auxiliares de diagnóstico da malária são os métodos utilizados para confirmar a presença do parasita, identificar a espécie de Plasmodium envolvida e avaliar o grau de gravidade da infecção. São os principais meios auxiliares de diagnóstico os seguintes:

  1. Exame microscópico do sangue: é o método padrão-ouro para o diagnóstico da malária. A gota espessa permite identificar a presença do parasita, mesmo em pequenas quantidades de sangue, pois o material é concentrado. Já o esfregaço delgado serve para identificar a espécie de Plasmodium (falciparum, vivax, malariae, ovale) e a densidade parasitária.
  2. Testes rápidos de diagnóstico (TDR): esses testes detectam antígenos específicos do parasita no sangue, como a proteína HRP-2 (Histidine-Rich Protein 2) e a LDH (lactato desidrogenase do Plasmodium). São feitos a partir de uma gota de sangue capilar e fornecem resultados em cerca de 15 a 20 minutos.

Exames complementares laboratoriais

Exames complementares laboratoriais, embora não confirmem a presença do parasita, esses exames ajudam a avaliar a gravidade da doença e suas complicações:

  1. Hemograma: anemia, plaquetopenia, leucopenia. Função hepática: aumento de transaminases e bilirrubinas. Função renal: aumento de ureia e creatinina. Glicemia: pode estar com hipoglicemia. Gasometria: pode revelar acidose metabólica. Esses parâmetros são essenciais para o acompanhamento clínico e o manejo do paciente com malária grave.
  2. PCR – Reação em Cadeia da Polimerase: ela identifica o DNA do parasita no sangue, mesmo em níveis muito baixos, o que é útil em casos de infecção mista ou quando a parasitemia é mínima. Entretanto, é um método caro e demorado, sendo usado principalmente em laboratórios de referência e pesquisas científicas, não em diagnósticos de rotina.
  3. Sorologia: A sorologia detecta anticorpos contra o Plasmodium no sangue. Ela é pouco útil no diagnóstico de casos agudos, pois os anticorpos demoram alguns dias para aparecer. É mais empregada em estudos epidemiológicos, investigação de surtos e avaliação de imunidade em populações expostas.

Tratamento da malária

O tratamento da malária segundo as normas do SNS (Serviço Nacional de Saúde), é feito com base em anti-maláricos da 1ª e 2ª linhas de tratamento. O tratamento da malária não complicada é feito com anti-maláricos de 1ª linha: que é Arteméter-Lumefantrina 140mg (AL ou coartem) e da 2ª linha é para malária complicada o medicamento de eleição é o Artesunato 60mg.

Esquema posologico de Artemeter+lumefantrina 140 mg

Quilos Posologia Dosagem Dose
5–14,9 12/12h 1 Cp 6 Cp
15–24,9 12/12h 2 Cp 12 Cp
25–34,9 12/12h 3 Cp 18 Cp
≥35 12/12h 4 Cp 24 Cp

Complicações da malária

A malária cerebral é uma das formas mais graves da doença e ocorre quase exclusivamente nas infecções causadas pelo Plasmodium falciparum. Ela acontece quando as hemácias infectadas pelo parasita se tornam aderentes às paredes dos capilares cerebrais, bloqueando o fluxo sanguíneo e dificultando a oxigenação do cérebro. Essa obstrução leva a edema, inflamação e lesões cerebrais.

Anemia é uma complicação frequente da malária e resulta da destruição das hemácias tanto pelas formas do parasita quanto pela ação do sistema imunológico e do baço. O Plasmodium invade e destrói as hemácias durante seu ciclo de multiplicação, reduzindo a capacidade do sangue de transportar oxigênio.

Hipoglicemia é comum em casos graves de malária, especialmente em gestantes e crianças. O parasita consome grandes quantidades de glicose para se multiplicar, e o fígado, afetado pela infecção, reduz a produção de glicose. Além disso, o uso de quinina ou quinidina no tratamento pode provocar liberação excessiva de insulina, agravando a queda da glicemia.

Insuficiência renal aguda ocorre principalmente nas infecções por P. falciparum e resulta da destruição maciça das hemácias, que libera hemoglobina livre no sangue. Essa hemoglobina, ao ser filtrada pelos rins, provoca lesão tubular e necrose.

Tratamento de malária complicada

Para tratamento de malária complicada usamos Artesunato 60 mg tanto nas crianças assim como adultos, não só, mais também, podemos tratar com artesunato de 60 mg nas crianças que não apresentam complicações, mas sim por baixo peso de 5 kilogramas, calcule o artesunato usando a esta ferramenta: o artesunato injectavel e outros farmacos nesta calculadora.

A importância da saúde pública no combate à malária

O combate à malária depende da integração entre governos, profissionais de saúde e comunidades.

Programas de vigilância epidemiológica, diagnóstico precoce, distribuição de mosquiteiros, campanhas educativas e acesso ao tratamento são medidas essenciais para reduzir a incidência da doença.

A educação da população sobre os sintomas e as formas de prevenção também desempenha um papel crucial, permitindo que os casos sejam identificados e tratados rapidamente.


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BIBLIOGRÁFICAS

  • Organização Mundial de Saúde, (2020): Como se prevenir da malária. 6ª edição. Genebra: OMS. https://www.who.int/malaria
  • Santos, Luiz F., Oliveira, Maria C, (2020): Como se prevenir da malaria, 6ª edição. São Paulo: Editora Saúde Global.
  • Ministério de Saúde, Manual de Formação para o Manejo de Casos de Malária, Programa Nacional de Controlo da Malária, 2009
  • Auto, Hélvio José de Farias e Colaboradores, Doenças Infecciosas e Parasitárias, editora Revinter, 2002

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